XVIII DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A
Nas aflições da vida, como na doença, no luto, na solidão da vida, na escassez de recursos financeiros, no desemprego, divórcios, ou nas desgraças que têm assolado o mundo, etc., é possível pensar num Deus insensível, distante, indiferente ou inoperante. Na sequência da mensagem das últimas semanas sobre um Deus compassivo, a Palavra de Deus deste Domingo, revela-nos um Deus sensível e operante face às necessidades dos homens. Segundo a primeira leitura (Is 55,1-3) perante o sofrimento do povo judeu no exílio, Deus promete a liberdade, a justiça, a prosperidade, a paz sem fim. E no evangelho (Mt 14,13-21) Jesus alimenta a multidão faminta e cura os doentes. Estes sãos alguns testemunhos que provam a compaixão e a sensibilidade de Deus perante as aflições dos homens.
A sensação da ausência de Deus que temos nos momentos críticos da nossa existência pode significar a imagem de um Deus “utilitarista”, que construímos, isto é, um Deus reconhecido apenas quando resolve “aqui e agora”, os nossos problemas ou quando tudo corre bem. E de facto, não faltam aqueles que se afastaram de Deus por causa das aflições da vida. A propósito, diz S. Paulo na segunda leitura: «Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas em tudo isto somos vencedores» (Rom 8,35.37-39). Na verdade é necessário que acreditemos e confiemos em Deus em todos os momentos da vida.
Ao saciar as multidões, Jesus nos ensina a sermos sensíveis às necessidades dos irmãos e a aliviar as suas aflições com o que podemos. Perante Jesus todos são famintos. Famintos de saúde, de amor e paciência para com os outros, famintos de paz familiar, famintos de uma fé e confiança em Deus que não se desvanecem nas dificuldades da vida; famintos de esperança e optimismo nas crises da vida. Por isso, precisamos que Deus nos sacie destas fomes para saciar também os outros.
Pe. João Prego

