“A sabedoria do humilde faz com que ele levante a cabeça e possa sentar-se no meio dos grandes. Nâo louves um homem pela sua bela aparência, nem desprezes ninguém pelo seu aspeto. Pequena é a abelha, comparada com as aves, mas o seu produto é o primeiro na doçura” - Ben Sira 11:1-3

Terramoto de Lisboa em 1755

Foi depois do terramoto de 1755 que alguns nobres procuraram refúgio nesta vila, onde adquirem terras e constroem os seus palácios. Muitas destas quintas conheceram um relativo esplendor durante o Antigo Regime até ao século XIX, especialmente devido a sua notável arquitectura. Destacam-se deste conjunto a Quinta da Flamenga, com um edifício do século XVII que inclui uma capela com azulejos seiscentistas sobre a vida de Santo António; a Quinta do Duque com um notável conjunto neoclássico, com um solar residencial, capela e jardins (hoje muito degradados) e a Quinta do Serpa excelente exemplo da arquitectura civil do século XVIII, as suas linhas sóbrias demonstram todo o carácter da casa antiga portuguesa.

Até 1826 a freguesia da Granja de Alpriate coexistiu com a de Vialonga, onde foi integrada naquela data. Após a extinção do termo de Lisboa, Vialonga foi incorporada, em 1852, no Concelho dos Olivais, sendo integrada no de Vila Franca de Xira em 1886.

Com o crescimento da capital, e da sua cintura industrial, alteram-se as tradicionais vias de penetração que eram o Tejo e a várzea de Vialonga. É no século XIX, com o lançamento do caminho de ferro e a construção da ponte de Sacavém, que mais profundamente se alteraria a rede viária tradicional.

A auto estrada “do norte” volta a bordejar a várzea retirando-lhe o papel de acesso à capital e de centro abastecedor de frescos, assistindo-se à implantação de indústrias que exigiam um escoamento fácil.

A proximidade da capital e a sua consequente expansão urbana, foram factores dominantes no aumento demográfico e transformação urbanística que Vialonga sofreu nos anos 60 e 70 e serão fundamentais para a sua elevação a Vila em 24 de Setembro de 1985. O crescimento de bairros típicos da área periférica de Lisboa como habitação acessível a operários e trabalhadores, marca hoje a paisagem de Vialonga, ainda assim é marcante o carácter agrícola da zona, quem sabe ponto de partida para recuperar uma identidade que hoje, se não completamente perdida, é por muitos desprezada.