XVI DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A
Na sequência da parábola do semeador que no domingo passado nos mostrou um Deus optimista, a palavra deste domingo revela-nos um Deus paciente e tolerante tal como podemos ler na Parábola do joio (Mt 13,24-43). Segundo esta parábola, um agricultor surpreende-se com o nascimento do joio no meio do trigo. Aconselhado pelos seus servos para que se arranque o joio, o dono do campo preferiu esperar pelo tempo da ceifa.
O desejo de se arrancar o joio do meio do trigo, pode representar o desejo de muitos de nós de que os maus sejam extintos do mundo. Num instante, a ideia até pode parecer boa enquanto traduz a intenção de preservar o bem do mal ou seja, que o mal não contamine o bem. Mas também pode significar a “presunção perfeccionista” de pensar que os outros é que são maus e eu bom? O mesmo é dizer: «eu não tenho pecados». E será que não temos mesmo pecados? Qual seria a nossa reacção se fizéssemos parte daquele grupo que quis apedrejar a mulher adúltera e para o qual falou Jesus: «quem não tem pecado seja o primeiro a atirar a pedra»? Será que atiraríamos a pedra? Não seremos nós também joios para os outros, para a nossa família, para os colegas no local de trabalho, no grupo de amizade, na escola, etc. E se fossemos, estaríamos disposto a sermos arrancados?
É óbvio que deixar que o joio cresça com o trigo não significa canonizar ou aprovar o mal, mas apenas dar oportunidade aos maus (joios) para que se convertam. E Deus que não quer a morte do pecador, mas a sua conversão, concede-lhe oportunidade. Daí a sua clemência, compaixão e paciência. Essas sãos as virtudes que cada ser humano em geral deve aprender e em particular o cristão.
E se analisarmos a dimensão desta parábola do joio, ela até é um suporte para os esforços que têm sido feitos na luta pela integração e tolerância nas sociedades. Por exemplo, a integração na educação, na sociedade, na política, na economia, no convívio com os outros, na relação familiar, etc.
Ao crescer com o joio, o trigo pode representar os bons no meio dos maus. No entanto eles (os bons) não se devem deixar sufocar pelas obras dos maus. Por outro lado, se em alguns momentos da vida nos reconhecermos joios, lembremo-nos de que Deus (o dono do campo) sempre concede oportunidade e é clemente e compassivo.
Pe. João Prego

