XX DOMINGO COMUM
Ainda que seja preciso percorrer muito para se atingir a plena inclusão a nível social, cultural, política, económica, racial, etc., devemos reconhecer o esforço que tem sido feito a nível internacional para o combate à exclusão.
Falando da exclusão, ela pode manifestar-se quer no âmbito mais amplo quer no âmbito restrito. Alguém por exemplo, pode sofrer a exclusão pela sua raça, cor de pele, categoria social, pela sua cultura e língua, pelo seu género, pela sua profissão e confissão religiosa, etc.
Qualquer atitude ou comportamento de exclusão significa a deficiência do verdadeiro amor ao próximo e a falta de reconhecimento de que todo o ser humano é a imagem e semelhança de Deus (Gen. 1, 27).
Quando a exclusão se verifica na esfera política, socioeconómica, por exemplo, até pode ser menos incomodativo. Mas quando a exclusão penetra o âmbito religioso ou é praticada pelos crentes torna-se inconcebível. Embora não seja muito notório, ainda hoje, há casos de exclusão religiosa.
A nível da diferença religiosa, alguém pode ser excluído por pertencer à confissão religiosa diferente. Tratando-se da mesma confissão religiosa, a exclusão pode manifestar-se na comparação entre os praticantes ou não praticantes, ou ainda na diferença de movimento apostólicos dentre a igreja.
Seja ela religiosa ou não, a exclusão é um mal na medida que afecta até a própria relação com os outros.
Para corrigir a mentalidade exclusivista, a liturgia da Palavra deste domingo ensina-nos que quer no plano espiritual quer no plano humano, ninguém deve ser excluído. Na esfera espiritual todos somos destinatários da salvação. A primeira leitura (Is. 56,1.6-7), confirma isto quando o profeta Isaías afirma que os estrangeiros (povos não judeus) também podem alcançar a salvação desde que cumpram os preceitos de Deus. E no Evangelho (Mt 15,21-28) também Jesus ensina o acolhimento a todos, quando atende a mulher que lhe gritava para curar a filha, mulher que não pertencia ao povo judeu como se pode deduzir da resposta de Jesus: «não é justo que o pão dos filhos seja dado aos cachorrinhos». Esta aparente rejeição da parte de Jesus, significa a prova de fé e confiança que Jesus faz à mulher, tal como o próprio Jesus admira: «mulher, é grande a tua fé, seja feito como desejas». Também S. Paulo confirma a universalidade salvífica ao se tornar o Apóstolo daqueles que não pertencem ao povo judeu (os gentios).
Assim, cada cristão, deve promover a inclusão e acolher a todos os irmãos a exemplo de Deus que ama a todos, bons e maus, crentes ou ateus.
Pe. João Prego

