“Mas Tu, Senhor, és o meu escudo protetor, és a minha glória e quem me faz levantar a cabeça” - Salmos 3:4

A Voz do Pároco

Optimismo de Deus

XV DOMINGO DO TEMPO COMUM

"Assim como a chuva e a neve não voltam às nuvens, sem regar a terra, assim também a Palavra de Deus não volta aos céus sem produzir os frutos" (1ª leitura: Is 55,10-11). A comparação faz sentido, na medida em que perante a proclamação da Palavra de Deus ninguém fica indiferente: ou se aceita ou se nega.

No Evangelho (Mt 13,1-23), Jesus conta a Parábola do semeador que ao lançar as sementes, umas caiem no caminho onde são comidas pelas aves; outras caiem em terreno pedregoso onde acabam por queimar com o sol por não haver terra suficiente; outras caiem entre espinhos que as sufocam e finalmente as sementes que caiem em boa terra e dão muitos frutos.

À primeira vista a parábola faz-nos pensar na ingenuidade e inexperiência do agricultor. Mas com a meditação profunda, a parábola permite-nos descobrir que o agricultor tem estima de todos os terrenos e tem confiança e esperança de que os terrenos inférteis podem tornar-se em terras produzíveis. Nada mais senão o optimismo e o amor de Deus expressos nesta parábola. Deus é tão bondoso que "faz chover e brilhar o sol sobre os bons e os maus".

Os diferentes terrenos também representam as diversas formas como, ao longo da nossa vida, temos acolhido a Palavra de Deus. De certeza que, já fomos "terreno do caminho, isto é, quando ouvimos a palavra de Deus sem a entender e nem a aplicar à nossa vida; também já fomos terrenos pedregosos ou com espinhos quando ao ouvirmos a Palavra de Deus nos entusiasmamos e até procuramos segui-la mas com as dificuldades da vida ou com as preocupações deste mundo e das riquezas, abandonamo-la. Apesar disso, também fomos ou somos boa terra no sentido de que procuramos viver a Palavra. Portanto, a mensagem da parábola convida-nos a sermos bons terrenos, a amar sem fronteiras como Deus e acreditar que do terreno espinhoso, pedregoso ou a beira do caminho podemos nos tornar num bom terreno.

É claro que não é fácil tornar-se num terreno fértil porque isto implica renúncias e levar Cristo a sério. E como dizia Noller, "levar Cristo a sério, é perdoar os próprios inimigos e abençoá-los"; é "dar a outra face"; é "perder a vida neste mundo"; é aceitar que sejamos chamados "beatos" (as) e atrasados em nome de Cristo. Na verdade, ser e viver o cristianismo numa sociedade adversa aos valores evangélicos e sociedade onde o cristianismo é considerado a herança do passado, nada mais senão assumir o martírio. Consciente disto, S. Paulo lembra-nos que "os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que se há-de manifestar em nós" (Rom. 8,18-23: 2ª leitura), ou como diz Jesus "quem perder a vida por minha causa ganhá-la-á".

 

Pe. João Prego