“Respondeu-lhes Jesus: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não mais terá fome e quem crê em mim jamais terá sede” - São João 6:35

A Voz do Pároco

Endireitar os corações tortuosos

Em geral, vivemos a expectativa de uma pessoa importante que nos vem visitar, com uma intensa preparação que pode ir desde a simples limpeza e arrumação da casa até o diálogo que vamos estabelecer.
Durante a expectativa da vinda do Messias, Israel foi convidado pelos profetas, a destruir o pecado que a primeira leitura (Is 40,1-5.9-11) e o evangelho (Mc. 1,1-8) deste domingo, comparam às colinas, aos vales, montes e, a estepes que devem ser aplanados e aos caminhos tortuosos a endireitar.


É óbvio, que se trata das colinas de ódios, vingança, rancores e ressentimentos que nutrimos contra aqueles que não gostamos porque um dia nos fizeram mal; são os montes de difamação dos outros; são vales dos maus-tratos físicos, morais e psicológicos aplicados aos outros, até aos nossos familiares e amigos que nos fazem bem; são caminhos tortuosos da falta à verdade, da presunção, do orgulho, do individualismo, da injustiça, da preguiça e da ganância; são veredas tortuosas de uma fé que nunca passa da teoria, de uma piedade talvez mais da fachada e interesseira.


E como nós não somos diferentes dos destinatários da pregação do profeta Isaías e de João Baptista, altos ou baixo, em nós também existem colinas, vales e montes que devem ser destruídos e caminhos tortuosos que devem ser nivelados.
E esta é a forma ideal para vivermos a expectativa do Senhor que vem através dos sinais sagrados como os sacramentos e sacramentais, através dos outros, dos mais simples e necessitados para exercitarmos a caridade e também dos que nos fizeram mal para pormos em prática o perdão tal como invocamos na oração do Pai Nosso; o Senhor que vem através dos bons acontecimentos da vida para o reconhecermos e glorificar e dos acontecimentos menos bons para nos testar e consolidar a nossa fé e confiança n’Ele, para se servir da nossa dor para conversão dos pecadores ou para o bem dos outros ou ainda para participarmos no seu sofrimento. E uma vez destruídos estes montes e aplanados os caminhos tortuosos proclamemos o Senhor que vem aos nossos irmãos com palavra mas também com o testemunho de vida.

Pe. João Prego